Especial Eliana: “Sou muito corajosa” diz Eliana

24 abril


Publicado por ISTOÉ Gente, em 09 de Setembro de 2002. 

Com dez anos de carreira musical, a apresentadora explica por que é a única loira à frente de um programa infantil e diz não sentir insegurança diante de desafios.

Ela precisou apenas dos dedos para abrir a porta do meio artístico. A partir da música “Os Dedinhos”, na qual as mãos ganharam versos em sua voz, ela ganhou um contrato em uma grande gravadora, vendeu discos e conquistou a confiança de Silvio Santos, que lhe deu um programa infantil no SBT. Hoje, dez anos depois do início da carreira musical, os números da apresentadora Eliana Michaelichen Bezerra não cabem em suas mãos e nas de seus fãs juntos. São 3 milhões de CDs vendidos e 123 produtos licenciados. À frente do Eliana e Alegria, nas tardes da Record e que rende na média 5 pontos de audiência, a apresentadora é a única loira no momento que comanda um programa do gênero. Em outubro, no entanto, a “Rainha dos Baixinhos” Xuxa volta com uma atração para a criançada na Globo. Eliana não se diz preocupada com isso. Aos 28 anos, solteira e vivendo um romance com um empresário que não atrai um terço dos holofotes que seus ex-namorados Roberto Justus e Luciano Huck atraíam, ela sabe seu valor: se a loirinha resolvesse abandonar seu ofício, o mercado infantil deixaria de faturar R$ 50 milhões ao ano.

Nesses anos de carreira, que momento é inesquecível?
O convite do Silvio Santos foi muito marcante. Era do conjunto Banana Split e recebi o convite no ar para apresentar um programa no SBT. Fiquei sete anos no SBT. A saída da emissora foi difícil. Buscava um pouco mais de espaço e recebi um convite da Record. Paralelamente, fui convidada pela Globo. Tinha de decidir em uma semana. No fim optei pela Record. Foi um momento tenso, mas mais uma vez não errei.

Passou pela sua cabeça não aceitar o convite do Silvio Santos?
Queria ser artista, mas nunca apresentadora. Comecei fazendo o inverso: cantando. Mas sou muito corajosa. Para mim, nada vence o trabalho. Era a grande oportunidade da minha vida, não senti insegurança. Lembrava que na época da faculdade – fiz até o 3º ano de psicologia – quando ficava apreensiva, dançava nas provas. Então, me controlava no ar. Dar vazão ao meu lado artístico era meu lazer.

Você é a única apresentadora loira no ar com programa infantil. O que aconteceu com as outras?
Eu nunca desfoquei das crianças, seja com licenciamentos, CD ou programa de tevê. Então, conforme o tempo passa o negócio fica mais firme, seguro e com mais credibilidade. Nunca cheguei e disse: “Não quero mais falar para o público infantil. Não quero mais cantar para crianças e sim para adolescentes. Vou viajar nas minhas emoções e fazer músicas românticas”. Nunca deixei que a minha evolução como mulher mudasse meu foco.

Seria proveitoso uma concorrência com as outras loiras? 
Daria para analisar se elas tivessem o mesmo tempo de arte que o meu. Eu tenho três horas diárias ao vivo, mas não tenho desenhos. Os melhores estão na Globo e SBT. O que sobra para mim? Criatividade. Faço viagens internacionais: Egito, Espanha, México, Inglaterra, a todos os parques da Disney, Museu Britânico. Hoje, eu não tenho concorrentes. É a primeira vez que isso acontece, mas a vida inteira sempre tive. Vim de uma época que tinha Mara Maravilha, Sérgio Mallandro, Mariane, Vovó Mafalda só na emissora em que trabalhava. Depois chegou a Angélica e aí tinha a Xuxa na Globo. Mas passei por essas fases e mostrei que meu trabalho tem conteúdo, é sólido.

A Xuxa volta em breve com um programa infantil. Está preparada para o retorno da Rainha dos Baixinhos?
Seja bem vinda! Os pais vão curtir, eu, e ela também. Já me encontrei com ela várias vezes. Não sou amiga, mas é uma pessoa que tem uma luz. Estive com ela quando a Sasha nasceu, quando estava maiorzinha. Nunca falamos sobre programas infantis.

Foi fã da Xuxa?
Eu já era artista quando a conheci. Fui ao programa dela com o Banana Split. Conhecia a pessoa, então respeitava o sucesso dela, mas eu já era do meio artístico. Nunca sonhei em ser uma espécie de Rainha dos Baixinhos. Minha inspiração profissional foi o apresentador Daniel Azulay. Óbvio que assisti à Xuxa, mas o Azulay era artista plástico, ensinava as crianças a brincar com sucata, a desenhar, pintar e tudo isso faço no meu programa. Me diferencio por fazer um programa educativo.

A consciência educativa é sua marca registrada?
Sim. Não só do meu programa, mas da minha carreira. Meus brinquedos não são aqueles que você coloca pilha e eles já saem andando. Todos exigem interatividade com a criança. Até a boneca que, teoricamente não precisa fazer nada, exige que a criança a ajude a andar, porque não tem pilha.

Pela primeira vez namora alguém que não é muito famoso (o empresário Ricardo Guedes, 30 anos). Ultimamente você não é vista em eventos. Uma coisa tem relação com a outra?
É muito bom que não ouçam falar de mim! É uma posição que resolvi adotar. Fui aprendendo com a vida e percebi que tanto faz para o meu público saber se estou namorando ou não. Se estou no Havaí ou no Nordeste. Não me arrependo de nada, mas simplesmente aprendi que é mais confortável não fazer certas matérias, como fotografar viagens particulares entre casais. Já registrei vários momentos da minha vida pessoal que não precisava ter feito. Vi que isso não muda em nada minha vida profissional.

Sente-se uma pessoa mais comum namorando alguém que não é uma celebridade? 
Para mim é tudo igual. Quando namorava alguém que era uma celebridade, namorava a pessoa. Em casa, então, ficava com o pé no chão, toda descabelada. Não ficava representando.

O ciúme é maior ou menor?
Ih, encasquetou! Passa essas perguntas sobre namoro. É tudo muito recente, faz sete meses que estou namorando!

Ainda sonha com casamento e filhos?
Desde que me conheço tenho vontade de construir uma família, como fizeram meus pais e minha irmã. Só falta eu. Mudou que, antigamente, dizia que queria ter dois filhos. Hoje, falo em três, quatro. Tenho condição de ter essa quantidade.

Seus pais moram com você?
Sim. Meu pai continua trabalhando como zelador. Ele tem de dormir hoje pensando que amanhã tem de levantar e ir trabalhar. Falei para ele, caso queira, parar de trabalhar. Ele diz: “Imagina”. Então ele sai e depois volta. E minha mãe em casa, com a gente, mãezona mesmo.

Pela primeira vez apresenta um programa à tarde. É melhor?
Passei por uma prova de fogo. Há onze anos fazia programa pela manhã. E a Record sugeriu que fizesse programa à tarde nas férias. Mas o índice de audiência foi muito bom. Foi bom porque vi que o programa é bacana para outras faixas etárias, que também pode agradar os adultos.

Você concorre com programas que muitas vezes recorrem ao sensacionalismo para garantir audiência. Como faz?
Sou uma opção para as tardes na tevê. A programação está muito ruim. Se tivesse um filho, estaria muito preocupada. Quem tem tevê a cabo, tudo bem. Quem não tem, que se cuide. Em função dos números, denegriram a programação. Não há mais escrúpulos. Dá para ver mulher nua à noite, à tarde e de manhã e crianças sendo executadas a qualquer hora do dia.

A Record é dirigida por pessoas da Igreja Universal. Isso influencia seu programa?
Não. A responsabilidade que tenho de ter para falar com um público infantil é muito maior do que as condições da direção da emissora. Tenho cuidado com gírias, língua portuguesa. Quando começou a se falar que programas infantis aguçavam a sensualidade, eu já usava bermudão. Uso calça, saias, mas com cuidado. Roupas curtas não me deixam à vontade para trabalhar. Uso em casa, fico de chinelo, saia. A igreja nunca me recomendou ou exigiu nada.

A Ivete Sangalo não vai à Record porque suas músicas falam de camdomblé, por exemplo...
Não é a produção do meu programa que cuida do núcleo musical. Levo capoeira, berimbau e nunca houve problema. Já fiz festas Halloween com bruxas e monstros. Procuro seguir a minha linha, não a da igreja.

Qual seu maior sucesso?
Foi o CD de “Os Dedinhos”, o meu primeiro, quando meu nome não tinha tanta força, as pessoas ligavam minha imagem à menina dos dedinhos que cantava com as mãos. Mas me sinto melhor apresentando, apesar de ter iniciado cantando. Me sinto mais gente num programa ao vivo. Já espirrei no ar, tossi, tropecei, tive dor-de-barriga e chamei um comercial para sair correndo. Há dois anos, entrevistava uma senhora que criava gatos. No papo, um pêlo do gato entrou em minha boca e eu não parava de tossir. Fiquei vermelha e a câmera focalizando. Saí de cena, tomei água, voltei e expliquei tudo.

Houve algum tropeço? 
Meu primeiro programa no SBT, Festolândia, durou três meses. Havia largado um emprego num grupo musical e, três meses depois, me vi no olho da rua. Entrei na sala do Silvio e perguntei se era pessoal. Ele disse que era uma questão administrativa, que precisava cortar custos. Chorei muito e pedi para ele me deixar no ar apresentando a Sessão Desenho. Fiquei dois anos no ar sem cenário, sentada num banquinho, sendo filmada da cintura para cima, não tinha mais nada. O engraçado é que comecei a ter merchandising. Aí, pensei: “Mara Maravilha tem dançarinas. A Xuxa, as paquitas e eu, no banquinho! Como ia dançar, se não mostram nem meu corpo inteiro?”. Passei a fazer coreografia com as mãos. Aí, recebi o convite para lançar o CD com a música dos dedinhos, ganhei disco de ouro e platina. Aí, o Silvio me deu outro programa.

Algum assédio a incomoda?
Não. Puxão de cabelo, arranhões, nada. Meus pequenininhos batem no meu joelho, não alcançam meu ombro! Nem das mães deles nunca ouvi reclamação. Nunca houve um escândalo a meu respeito nesse tempo todo.

Já cansou de responder se colocou silicone nos seios?
Nem me preocupo mais em responder essa pergunta. Ouço e tudo bem.

Por ISTOÉ Gente. 

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